Impossível compreender a história do Brasil ou a formação da sociedade brasileira, sem atravessar o Atlântico e ancorar no continente africano. Essa é uma sentença que vale não apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina, já que todos nós, lamentavelmente, também somos frutos do crime de lesa humanidade produzidos pelo tráfico negreiro e a escravidão.

Ao incluir o continente africano nas celebrações dos 50 anos da Universidade de Brasília (UnB), por meio do Festival Latino-americano e Africano de Arte e Cultura (Flaac 2012), estamos não só reconhecendo a gigantesca contribuição civilizatória dos povos e culturas africanos, mas considerando-as como parte integrante e indelével do nosso fazer cultural. Essa também será uma oportunidade para revisitarmos a força e a criatividade das suas manifestações culturais expressas no Brasil, tanto na ginga da capoeira, como nos ritmos da nossa música ou no sabor da nossa culinária, assim como na luta incessante pela igualdade. Mais que isto, a África que se expressa na labuta diária da construção da riqueza material e espiritual deste país.

Nos “Caminhos da Africa” estarão representados países e culturas que mais influenciaram e se fazem presentes na formação da sociedade brasileira. Teremos a oportunidade, no período de 8 a 13 de junho, de dialogar, vivenciar e trocar experiências com a imensa diversidade cultural que compõe o continente africano, seja islâmico, yorubano ou bantu, além dos seus rebatimentos no cotidiano brasileiro.

Essa também será uma grande chance para refletirmos sobre o papel e a contribuição da UnB na promoção da igualdade racial brasileira, visto que, apesar dos afrodescendentes representarem a maioria da população brasileira (51,6%), são vitimas, ainda hoje, de toda sorte de discriminação e preconceitos, em particular no ensino superior.

Enfim, trilhar os “Caminhos da África” será mais um momento para que conheçamos um pouco mais da história africana, da sua produção artística e cultural e da importância dessas manifestações na incansável luta pela igualdade, elemento fundamental para o diálogo no presente e mais ainda na construção do nosso futuro.

Zulu Araújo
Coordenador-geral do Flaac 2012 e diretor da Casa de Cultura da América Latina

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